Benfica-Naval, 1-0 (crónica)

Na Luz, o muro também caiu! Vinte anos após a queda em Berlim, os encarnados tiveram trabalho tão grande como o colapso do Leste como o conhecêramos até 1989. Custou, demorou uma eternidade, mesmo. Mas a cabeça de um espanhol tão pensante como trabalhador derrubou os alicerces de uma Naval apostada em defender, e apenas defender, e que teve em Peiser a figura maior da noite da Luz. 

 

A ocasião de ouro de ganhar pontos aos adversários consumou-se tarde, mas muito a tempo de conceder justiça a uma equipa que ia perdendo forças com o tic-tac do relógio, e, sobretudo, pelo desespero que foi ver o guardião adversário parar as bombas atiradas contra o maciço contrário. Assustou a Naval mesmo no fim, mas seria castigo pesado para a equipa de Jesus e para os milhares de gargantas roucas, que não cansaram de fazer os encarnados ter fé.

Terá sido da superstição?

Para os supersticiosos, o Benfica começou a atacar para Sul, ao contrário do habitual, por ordem de Peiser ao capitão Godemeche. Talvez por isso, a águia tenha começado a meio gás. Mas cresceu, cresceu tanto que no final dos primeiros 45 minutos já tinha boas ocasiões para chegar ao golo. Porém, havia Peiser que era ainda maior que o Benfica, com defesas espantosas, para desespero da causa encarnada.

Di María foi o primeiro a fazer o francês brilhar. Livre aos 14 e Peiser voou para defesa; Javi Garcia imitou o argentino e, lá estava o guarda-redes; Di María voltou a tentar, de bola corrida: deu no mesmo, com defesa a punhos. Daniel Cruz ia traindo Peiser, mas até as infelicidades dos colegas o francês defendeu.

E quando falhou, Saviola atirou no poste! O Benfica lançou mais ataques e o primeiro tempo fechou com mais um episódio que espelhou tudo o que se passou até então: Javi Garcia cabeceia, os adeptos começam a gritar golo, mas, lá está, Peiser, interrompeu-os. O guardião era o muro que na Luz não caía. A Naval tinha abdicado de fazer qualquer coisa lá na frente e no Benfica percebia-se uma coisa: Cardozo fazia falta, não só pelo pouco que jogava Nuno Gomes, mas também porque no que toca a meter a bola na baliza, o paraguaio fá-lo como ninguém.

Era o super-homem?

O acelerador encarnado estava no fundo, mas alguém injectou ainda mais potência. Jorge Jesus certamente, ao intervalo. O Benfica carregou, foi para cima da Naval, mais ainda se era possível. Mas a força toda de uma equipa e dos mais de 40 mil na Luz esbarrava nos poderes do Super-Homem. À medida que os colegas iam caindo, Peiser mantinha-se de pé. Defendia tudo, até com as pontas dos dedos desviou um golo (era mesmo isso) de Di María para o poste.

Nuno Gomes dera o lugar a Weldon, antes disso, mas era o guardião da Naval que merecia a crónica toda do jogo, o destaque maior e a nota mais alta. A oportunidade de ouro do Benfica em ganhar pontos aos rivais e encostar no Sp. Braga ia-se perdendo nas mãos de um francês, até porque as oportunidades sucediam-se minuto a minuto.

Com o tempo a passar, os encarnados tiveram de buscar força onde parecia não haver, sobretudo Di María. Mas seria o argentino a meter no alto da área contrária, onde apareceu o espanhol Javi Garcia, que numa imitação do voo da águia, saltou e cabeceou para onde Peiser não podia estar. A omnipresença é para os deuses. O francês saiu apenas como herói, como saiu Javi Garcia e restantes encarnados, pelo jogo e fé que demonstraram.

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